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A Era Dos Especialistas Influenciadores E Por Que Você Também Pode Ser Um

A era dos especialistas influenciadores e por que você também pode ser um

Eu comecei a escrever artigos no LinkedIn em 2015, logo depois de ter passado seis meses sem emprego a partir de uma demissão em massa. Eu já estava empregada novamente quando decidi que precisava cuidar de minha imagem profissional, então decidi aplicar o que eu sabia sobre marketing de conteúdo para minha própria carreira e comecei a escrever artigos. O que eu não imaginava é que três anos depois criando conteúdo eu seria considerada uma das maiores influenciadores corporativas do Brasil, principalmente quando o assunto é a plataforma Linkedin.

Naquela época o assunto influenciador não era novidade. Eu já acompanhava pessoas que arrebatavam milhões de seguidores, mas também já tinha noção de que influência não se limita a número de seguidores ou de comentários e curtidas em um post, mas de também formar opiniões, de gerar engajamento e de conseguir levar pessoas a algum tipo de ação. Eu não pretendia, nem planejei ser uma influenciadora. Aliás, publicamente, em minha tagline, por exemplo, eu não me posiciono dessa forma, mas sou transparente o suficiente para dizer sem problema algum que diversas vezes trabalho com marcas para criar conteúdos que se conectem aos seus públicos, exercendo um papel conhecido como influenciadora.

O grande problema da palavra influência, a meu ver, é que existe uma conotação negativa sobre ela. A verdade é que ninguém quer se sentir influenciado, mas na prática, somos influenciados por diversos fatores e pessoas quase o tempo todo em tudo que fazemos no dia a dia. Talvez a palavra não expresse bem a ação em si. No final do dia eu não quero, necessariamente, influenciar alguém, mas quero sempre levar uma informação relevante, didática e de valor pela qual meu público se interesse, algo que agrega valor para ele e esse processo envolve várias coisas, inclusive lidar com propostas variadas e precisar decidir, a partir de seus valores pessoais, o que vai aceitar ou não. Acredite, as ofertas podem ser muitas dependendo do seu perfil, mas eu particularmente me limito a aceitar algumas delas, desde que façam sentido e que eu possa ser transparente e ética com quem me segue.

Influenciadores em novas plataformas

Durante muito tempo estivemos acostumados a pensar que influenciadores, em sua maioria, abordavam assuntos relacionados à música, humor, moda e lifestyle. E no Instagram e Youtube assistimos vários deles crescendo exponencialmente em número de seguidores e ações com marcas, muitos deles sequer eram maiores de idade ainda, outros trancaram suas faculdades e tantos deles sequer tinham uma profissão. Mas depois que o LinkedIn agregou diversas novas funcionalidades e deixou de ser uma plataforma focada exclusivamente em recrutamento e seleção, as coisas mudaram. O LinkedIn tornou-se uma plataforma de networking, de conteúdo e de aprendizado. E com ferramentas para publicar textos, vídeos e até artigos maiores, pudemos ter acesso a histórias sobre vitórias e fracassos e conselhos de diversos profissionais que antes estariam inacessíveis, mas que encontraram na rede inspiração para compartilhar isso com outros profissionais, que estão ansiosos para aprender não só o passo a passo de alguma coisa, mas encontrar o “fator humano”, como foi a virada, uma lição valiosa e até conhecer mais sobre os bastidores daquele grande profissional, que no final do dia não deixa de ser alguém com vida pessoal também. Vida que inclusive diz muito sobre ele.

LinkedIn como plataforma de conteúdo e influência

A influência chegou ao LinkedIn e a plataforma tornou-se também um canal interessante para publicar conteúdo especializado. Os profissionais foram aprendendo que era preciso cuidar de sua imagem profissional e que para ser visto em meio a tanta gente a regra do marketing de conteúdo se aplicava: era preciso doar conteúdo útil para o público-alvo estratégico e assim construir, aos poucos, uma imagem de referência e expertise naquela área. Naturalmente, essa publicação constante ajudaria esses profissionais a parecem ainda mais confiáveis e com credibilidade, afinal, como explica o fator KLT, queremos nos aproximar e trabalhar com pessoas que “conhecemos, gostamos e confiamos” (Know, like and trust).

Profissionais podem se destacar com conteúdo no Linkedin

Por ser uma rede social corporativa, no LinkedIn os assuntos precisam ser mais direcionados. E nesse sentido é preciso entender que existem profissionais de todos os segmentos e que eles todos podem estar no LinkedIn, de modo que todo assunto é interessante e passível de discussão e compartilhamento.

Entretanto, percebe-se que os assuntos relacionados à carreira e negócios acabam tendo um interesse maior por parte dos usuários. Ou seja, falar sobre carreira é quase sempre certeza de sucesso (é claro que para o conteúdo performar bem vários fatores podem influenciar). Então, é possível associar assuntos, por exemplo, falar de sua área, que é marketing, mas associar o assunto à carreira também. Na rede, para produzir bom conteúdo é primeiro preciso entender quem você é, como quer ser visto e quem é o público que você gostaria que consumisse seu conteúdo para assim contratá-lo, se aproximar, gerar negócios.

Pode acontecer, inclusive, de você atingir públicos diferentes dependendo dos produtos e serviços que disponibiliza, nesse caso é preciso garantir uma distribuição equilibrada de conteúdo para cada um deles.

Os especialistas são os novos influenciadores

Lá em cima eu comentei que não ressalto como primeira função o fato de ser considerada uma influenciadora. Antes disso eu sou uma profissional, especialista em marketing. Especificamente em marketing de conteúdo. Fiz mestrado e agora curso doutorado na área de mídia e tecnologia e tenho uma pesquisa que se relaciona ao mundo do conteúdo, o assunto é “employee advocacy”, uma metodologia que aposta no fato de incentivar que todo o time de uma empresa gere conteúdo nas redes sociais, de modo a beneficiar a si mesmo e também a companhia.

A esse assunto se relaciona o social selling (ou sejas, vendas sociais, da contextualização e personalização, que é o oposto das ligações frias, também conhecidas como cold calls). Meu trabalho envolve ministrar treinamentos para turmas próprias (pessoas físicas) e treinamentos incompany para empresas que tem interesse no assunto. Esse ano eu me tornei uma instrutora oficial LinkedIn Learning após um projeto na Áustria com o Linkedin, no qual gravei cursos oficiais. Desde então, falar sobre LinkedIn e conteúdo tem sido o grande alvo dos meus treinamentos.

Apesar de ser uma professora (também dou aulas na ESPM), de ministrar meus cursos próprios e também de dar várias palestras e ter escrito dois livros, eu também atuo como influenciadora quando engato um projeto com alguma marca. Ou seja, como profissional especialista em uma determinada área, eu acabei me tornando uma influenciadora especialista.

Isso quer dizer que eu me comunico com um público mais específico, que existem temas relacionados a quem sou pessoalmente e profissionalmente que me conectam a esse trabalho. Ou seja, eu sou uma empreendedora que depois de ter sido demitida se reinventou, pediu demissão abriu sua própria empresa e escreveu livros sobre carreira, de modo que assuntos que se relacionem a marketing, marketing de conteúdo, carreira e empreendedorismo são os meus focos, isto é, quando eu escrevo sobre eles, tenho público interessado. A minha história pessoal de superação e o fato de eu buscar sempre a autenticidade em meus conteúdos, também me conecta ao meu público.

Uma pesquisa chamada Trust Barometer 2018 revelou dados interessantes sobre a credibilidade dos líderes empresariais, que caiu em todos os 28 países pesquisados. Em termos globais, uma pessoa comum (60%) é uma fonte de informação sobre empresas tão confiável quanto um especialista técnico (60%) ou acadêmico (60%), e muito mais confiável do que um CEO (37%). No Brasil, a pessoa comum lidera o ranking de credibilidade (78%), seguidas por especialistas técnicos (67%) e acadêmicos (65%). Os CEOs perderam 18 pontos, atingindo a marca dos 48%, praticamente empatados com funcionários (47%).

Hoje, mais do que se interessar pelas marcas, as pessoas anseiam saber quem está por trás delas. Elas querem seguir essas pessoas, saber o que pensam, o que fazem pelo mundo para torná-lo melhor. Desse modo, torna-se interessante que profissionais sejam ativos em suas mídias sociais, visto que isso também pode fortalecer a própria marca e também gerar negócios.

É possível se construir como influenciador?

Dia disses me perguntaram isso e por mais estranho que possa parecer, sim, eu acredito que qualquer pessoa pode construir um perfil influenciador nas mídias sociais. Para isso, é preciso apostar na produção contínua de conteúdo relevante para o público que se deseja atingir. Outros aspectos como forma de falar, assuntos e carisma podem ajudar. Mas a lição maior por trás de tudo isso é sobre ser sempre autêntico, porque as pessoas percebem quando alguém não tem muito a falar, quando força situações ou faz de tudo para parecer alguém que na verdade não é. Por trás das telas é possível aparentar ser o que você quiser, mas ao vivo isso se sustenta? É preciso pensar nisso e não desejar o atalho do sensacionalismo, que acaba construindo um perfil cheio de seguidores, que podem na verdade serem vazios e não contribuirem em nada para a imagem daquele profissional.

Como as empresas estão lidando com o assunto influência

As empresas vivem hoje o desafio de serem vistas em meio a tanta concorrência e conteúdo. Já não basta mais produzir, é preciso criar O MELHOR conteúdo para seu público. E para isso é preciso se permitir ao novo. Plataformas como o LinkedIn apresentam um alcance orgânico fabuloso e ter um conteúdo viralizado é completa possível se ele seguir uma série de critérios que o tornarão bons (esses critérios você pode aprender passo a passo ao fazer um curso meu, ou buscar outros artigos que já escrevi). Mas e se fosse possível tornar isso ainda maior? E se esse marketing pudesse ser praticamente exponencial?

Cada funcionário tem sua própria rede de seguidores e conexões e o conteúdo que ele publica pode engajar 10x mais do que o conteúdo que ele compartilha de uma marca em sua timeline. Isso acontece porque existe o fator humano em jogo, é possível ver quem está por trás daquele conteúdo em vez de ler algo impessoal assinado por uma marca, que tantas vezes acaba criando mais do mesmo ou um conteúdo muito engessado.

A partir dessa percepção se fortalece o employer branding e, mais especificamente, o employee advocacy, uma série de ações e estratégias que podem ser feitas para amplificar a voz da organização por meio da colaboração dos funcionários. Muita gente pode até se perguntar se isso é efetivo e praticável, afinal, rede social é do funcionário e a empresa não pode obrigá-lo a nada nesse sentido. Porém, é possível incentivar, motivar e dar ferramentas para que essas pessoas sejam mais ativas e ajudem a compartilhar o que a empresa anda fazendo, muitas vezes com suas próprias palavras. Trata-se de uma relação de ganha-ganha, o funcionário ajuda a empresa compartilhando ou criando e amplificando sua voz, ajudando a obter mais engajamento e a empresa pode, como contrapartida, fortalecer a credibilidade desse funcionário, levado para seus canais oficiais o que ele escreveu e compartilhando algo como “veja o que nosso especialista em marketing escreveu sobre tal assunto”. No final do dia os dois ganham.

Nessa abordagem, as empresas entendem que tem dentro de casa influenciadores. Influenciadores internos!

E eles, como profundos entendedores do dia a dia da empresa, cada um em sua área, tem muito conhecimento e histórias para contar. E o público quer o que? Histórias! Elas engajam como nunca. Por isso é tão interessante apostar nesses perfis. Ao adotar uma estratégia assim na companhia existem alguns caminhos a escolher. Algumas empresas escolhem plataformas mais focadas em uso interno, como o Facebook Workplace, pelo qual criam uma rede ou mesmo grupos de todos os funcionários e geram conteúdo para garantir um maior alinhamento entre todos eles. Outras, preferem (ou apostam também) em uma influência interna, incentivando que esse conteúdo seja produzido em redes sociais de forma livre. É claro que é sempre válido alinhar expectativas, boas práticas e deixar claro o que é confidencial e não deve ser exposto.

O trabalho envolvendo employer branding pode ser restrito a um grupo de pessoas na empresa, como a alta liderança, por exemplo, ou ainda, focar também na força de vendas, afinal, na era das vendas sociais não basta usar plataformas para encontrar os melhores leads, mas garantir que o conteúdo também esteja presente nesses perfis, ajudando a educar o mercado e a transmitir mais credibilidade. A estratégia pode ainda ser compartilhada com toda a empresa e o dia a dia será decidido no negócio, em alguns deles todos são livres sobre o quê compartilhar, enquanto em outros pode existir um destaque a um assunto específico e até mesmo textos de apoios nos quais o time pode se basear para compartilhar e levar adiante.

Produzir conteúdo é importante para todos os profissionais

Não importa quem você seja, cuidar de sua imagem profissional é essencial. Quando falamos em LinkedIn, o primeiro passo é ter um perfil atualizado, relevante e completo. Além disso é preciso interagir, ser ativo e criar conteúdo que ajude as pessoas a se lembrarem sobre o que você faz. Esse conteúdo vai ajudar a construir uma imagem positiva e funcionará como uma vitrine para seu trabalho. Em uma época de tanta concorrência, é mais do que necessário. E o seu bom conteúdo pode levá-lo a ser considerado também um profissional especialista, abrindo novas possibilidades de trabalho e parcerias, muitas que você nunca imaginou.

Flavia Gamonar: especialista em marketing de conteúdo, employer branding, employee advocacy e LinkedIn. Instrutora oficial Linkedin Learning e top voices. Doutoranda em Mídia e tecnologia, professora na ESPM, autora dos livros Disruptalks e Me dê seu crachá, eu te acompanho até a porta. Palestrante e apresentadora de um quadro sobre redes sociais e carreira no programa Inova360 do Record News. Ministra treinamentos e consultorias para profissionais e empresas. Cria conteúdo para disseminar e humanizar a mensagem de marcas e empresas e possui quase 1 milhão de seguidores no Linkedin. [email protected]

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