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Como Os Comunicadores Estão Matando As Redes Sociais E As Operadoras

Como os comunicadores estão matando as redes sociais e as operadoras

Há pouco mais de um ano o Facebook comprou o WhatsApp por U$21,8 bilhões e tornou-se o maior negócio da história da empresa de Zuckerberg. A operação colocou o Facebook contra a indústria de telecomunicações em todo o mundo, pois o WhatsApp tornou-se poderoso ao possibilitar o envio de mensagens e chamadas de voz gratuitas, e conquistou de vez os clientes das tradicionais operadoras e coloca em risco às receitas deste setor.

Já são clientes do WhatsApp quase 1 bilhão de pessoas. Um dado de abril deste ano apresentou o número de cerca de 30 bilhões de mensagens trocadas por dia. Se as operadoras sofrem, eu me arrisco a dizer que as contas de e-mail também passarão a ser usadas de uma forma diferente daqui em diante. Muita gente prefere trocar mensagens em tempo real do que enviar emails e por isso usa os comunicadores. O e-mail certamente será usado quando for necessário documentar um assunto, em relações mais formas ou quando se prefere não incomodar o usuário e explicar de forma mais ampla um assunto.

Em todo o mundo, a razão para a adoção massiva dos comunicadores como o WhatsApp acontece porque ao ver que “todo mundo usa”, novos usuários baixam o aplicativo. Além disso, pedir o WhatsApp soa menos agressivo que o pedir o número de telefone, apesar de ser a mesma coisa, comportamento que demonstra que cada vez menos as pessoas querem se comunicar via chamadas tradicionais, que exigem atender quem liga naquele momento, por exemplo. Vou ainda mais além, gosto cada vez menos de atender ao telefone, prefiro ferramentas como estas, que além de tudo me permitem enviar anexos, meu local atual, contatos, criar grupos, enquanto no telefone a atenção precisa ser totalmente focada na conversa e sem outros tipos de interações. As novas gerações já nascem conectadas e não possuem nenhum tipo de medo ou receio em informar seu número de forma pública.

O sucesso do WhatsApp também se deve ao fato de que mesmo em conexões lentas o aplicativo pode ser usado. O que não fica muito claro para nós é de onde vem a receita do aplicativo, visto que até o momento não existem cobranças ou exibição de anúncios. Seria uma estratégia quando o Facebook o comprou, numa tentativa de evitar a perda de usuários da rede? Seriam os dados trocados entre usuários utilizados de algum modo? Eu só sei que quando falamos dessas tecnologias que sabem tanto sobre nós, podemos sim estar sendo observados. Quer exemplo melhor do que o Google (desde que ativado), que nos rastreia o tempo todo e depois podemos visualizar um mapa dos locais nos quais estivemos? Em muitos casos somos apenas porquinhos vivendo em uma fazenda, felizes por acreditar que os donos são tão bons que nos dão até comida de graça. Mas o dia do abate pode chegar, talvez sejamos apenas produtos. Porquinhos viciados em tecnologia (sou uma!).

Mas não é apenas o WhatsApp que vem ganhando espaço. Ano passado o Facebook praticamente obrigou seus usuários a instalar o Messenger, sendo necessário baixar um novo aplicativo. Forçados, porque antes podiam trocar mensagens direto do app do Facebook, mas com a mudança, apenas aqueles que baixavam o Messenger  conseguiam se comunicar. Assim, o Messenger deixou de ser uma parte do Facebook e virou uma plataforma independente para comunicações, não apenas com amigos, mas também com empresas. E veja só, ele compete com o WhatsApp, que foi comprado pelo próprio Facebook. A ideia é que a ferramenta forneça novos recursos que, inclusive, envolveram a participação de desenvolvedores de todo o mundo para contribuir com a ferramenta. Não se engane, o Messenger é muito mais que apenas um comunicador e seu ciclo de vida continua sendo administrado para lançar novas funcionalidades em breve. Muitas destas funções já substituem atividades que antes eram executadas em um navegador, o Facebook mantém você preso dentro dele, até mesmo vídeos podem ser vistos sem sair do aplicativo. Abertura de páginas também ocorrem diretamente dentro do navegador do Facebook, assim, seus usuários não precisam usar o Chrome, do Google. E novidades continuarão surgindo, pois o Facebook começou a desenvolver mini-aplicativos dentro do Messenger e grandes parceiros estão patrocinando: previsão do tempo dentro do próprio Messenger, aplicativo da L´oreal para aplicar maquiagem antes de enviar a foto, entre outros.

Todas essas novidades, (assim como os “Uber” e os “Netflix” da vida) sinalizam que novos tempos exigem novos modelos de negócios. Na história da inovação muitos foram os negócios que não conseguiram prever substitutos e então faliram. Lutar contra eles é impossível. Assim como muita inovação já foi inserida em nosso dia a dia, mesmo que no início tenha significado guerras com empresas que possuiam modelos tradicionais, outras delas continuarão acontecendo. Se o Uber ainda não está regulamentado, pode ter certeza que em algum momento ele será. E aqui a discussão está acima de ser regulamentado ou não.

Quem discorda de inovações como estas (e tantas outras mais) talvez enxergue o mundo com olhos de quem já criticamos alguma vez por ser antiquado. Não há como lutar, as novas gerações vão dominar o mercado em breve e vão ter mente aberta pra aceitar o que a nossa geração talvez ainda não queira.

Os jornais impressos também sofrem com a inovação do digital, que oferece notícias o tempo todo, que permite que qualquer pessoa publique uma informação e tudo isso de forma gratuita. Alguns jornais já deixaram de imprimir e agora apostam apenas em versões on-line. Mudar este formato não é simples como parece num primeiro momento. Envolve estruturas, plataformas, modelos de negócios, pessoas, conhecimentos. Mas uma coisa é certa: ficar sentado esperando não vai salvar um negócio como este. É preciso repensar o modelo de negócios urgente.

Preocupadas com os comunicadores, algumas operadoras inicialmente torceram o bico. O presidente da operadora Vivo, por exemplo, disse recentemente que o WhatsApp e o recurso de chamadas de voz por IP do Facebook agem na ilegalidade e compõem uma “operadora pirata”. Em suas palavras “O WhatsApp é bem mais perigoso que o Netflix, é uma ameaça que precisamos entender melhor” e ainda “é pirataria no pior sentido, é um operador na Califórnia, usando nossos números e clientes e sem obrigações regulatórias, jurídicas e fiscais”. Ele não aprova a prática de criar serviços que são baseados no serviço oferecido pela operadora (modelo de negócio chamado de over-the-top), no caso, os números de celular da Vivo e a internet móvel. Também considera que não existe segurança e que falta isonomia: o aplicativo não possui regras fiscais, jurídicas e regulatórias, o que dificulta o monitoramento das mensagens e permite que seja utilizado em atividades ilegais.

Mas como já dito, guerrear não é o caminho. Para conquistar clientes, algumas operadoras decidiram não descontar da franquia do plano contratado os usos de WhatsApp, Twitter e Facebook, por exemplo. É sempre recomendado ler o regulamento de cada uma delas, pois existem exceções, como por exemplo, em uma delas se você fizer check-in no Facebook em um lugar será descontado da franquia.O mesmo vale se você acessar um link externo ao Facebook.

Agora veja a grande sacada: o uso do WhatsApp também não desconta da franquia, desde que você não faça chamadas dentro dele. Percebe a tentativa de impedir o uso de voz sobre IP e proteger a telefonia? Mas o WhatsApp rebate e lança uma alternativa, ativar a opção vai diminuir a quantidade de dados celulares ou WiFi usados durante chamadas VoIP.

O assunto WhatsApp vai ainda mais além.  No Reino Unido, na Arábia Saudita, no Irã e em outros países, o aplicativo sofreu ameaças de bloqueio e, em alguns deles, chegou a ser suspenso. O argumento é que difícil monitorar mensagens enviadas pelo aplicativo do que ligações telefônicas ou e-mails, o que poderia ameaçar tanto a segurança pública quanto a segurança nacional. Existe inclusive uma pressão para que os aplicativos forneçam mais informações sobre as atividades de seus usuários. De qualquer forma, o bloqueio é encarado como cercear a liberdade de expressão.

Com relação à ameaçar o uso das redes sociais, cada vez mais usuários deixam de lado o Facebook em favor da proposta prática e ágil do WhatsApp, que já representa o principal canal de comunicação para muitos jovens – uma verdadeira rede social móvel para esse público. Eles consideram que o WhatsApp sai à frente porque é uma forma rápida de falar com alguém, mesmo no trabalho. Já no Facebook seria impossível ficar conectado o tempo todo. O vício no aplicativo faz com que esses jovens verifiquem suas notificações centenas de vezes ao dia, esperando por novas mensagens. O motivo de preferirem usar o WhatsApp pode estar no fato de o Messenger ainda ser mais pesado.

Nos Estados Unidos já ocorreu uma debandada de jovens, que deixaram o Facebook. De acordo com a iStretagy Labs, o número de 2011 a 2013 foi de 25%, já no mundo, foram mais de 11 milhões que deixaram a rede social. Esse declínio foi forte entre os adolescentes e jovens, que migraram para o WhatsApp, Instagram e para o Snapchat. Quando o Facebook adquiriu o WhatsApp pensou também neste público que está debandando.  Houve uma tentativa de compra do Snapchat também, mas isso não aconteceu.

Todos esses acontecimentos nos mostram que novos modelos de negócios são necessários, que muitas vezes uma empresa compra outra para que ela não se torne um risco e, ainda, que as novas gerações impactam negócios e podem definir novos modelos de negócios com suas mentes frescas, que já nasceram conectadas.

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